O PROJETO DE PESQUISA[1]
O projeto de pesquisa é o planejamento de uma pesquisa, ou seja, a definição dos caminhos para abordar uma certa realidade. Deve oferecer respostas do tipo: O que pesquisar? Por que pesquisar? (Justificativa) Para que pesquisar? (Objetivos) Como pesquisar? (Metodologia) Quando pesquisar? (Cronograma) Por quem?
A pesquisa científica precisa ser bem planejada. O planejamento não assegurará, por si só, o sucesso da monografia, mas, com certeza, é um bom caminho para uma monografia de qualidade.
Entende-se por planejamento da pesquisa a previsão racional de um evento, atividade, comportamento ou objeto que se pretende realizar a partir da perspectiva científica do pesquisador. Como previsão, deve ser entendida a explicitação do caráter antecipatório de ações e, como tal, atender a uma racionalidade informada pela perspectiva teórico-metodológica da relação entre o sujeito e o objeto da pesquisa. A racionalidade deve-se manifestar através da vinculação estrutural entre o campo teórico e a realidade a ser pesquisada, além de atender ao critério da coerência interna. Mais ainda, deve prever rotinas de pesquisa que tornem possível atingir-se os objetivos definidos, de tal forma que se consigam os melhores resultados com menor custo (BARRETO; HONORATO, 1998, p. 59).
Segundo Minayo (1999), ao elaborar um projeto de pesquisa, o pesquisador estará lidando com, no mínimo, três dimensões:
- Técnica: regras científicas para a construção do projeto;
- Ideológica: relaciona-se às escolhas do pesquisador, sempre tendo em vista o momento histórico;
- Científica: ultrapassa o senso comum através do método científico.
1 DEFINIÇÃO DO ASSUNTO
1.1 Tema
A escolha de um tema representa uma delimitação de um campo de estudo no interior de uma grande área de conhecimento, sobre o qual se pretende debruçar. É necessário construir um objeto de pesquisa, ou seja, selecionar uma fração da realidade a partir do referencial teórico-metodológico escolhido (BARRETO; HONORATO, 1998, p. 62).
É fundamental que o tema esteja vinculado a uma área de conhecimento com a qual a pessoa já tenha alguma intimidade intelectual, sobre a qual já tenha alguma leitura específica e que, de alguma forma, esteja vinculada à carreira profissional que esteja planejando para um futuro próximo (BARRETO; HONORATO, 1998, p. 62).
O tema de pesquisa é, na verdade, uma área de interesse a ser abordada. É uma primeira delimitação, ainda ampla.
Exemplos:
- Sigilo bancário (OLIVEIRA, 2002, p. 214).
- Eutanásia (OLIVEIRA, 2002, p. 169).
- Violência urbana (OLIVEIRA, 2002, p. 169).
- Assédio moral
- A ordem jurídica comunitária no Mercosul, possibilidades de constituição e eficácia (VENTURA, 2002, p. 73).
- As comissões de conciliação prévia como meio alternativo à jurisdição estatal para a solução dos conflitos trabalhistas (SANTOS, 2002).
1.2 Delimitação do tema
Delimitar é indicar a abrangência do estudo, estabelecendo os limites extencionais e conceituais do tema. Enquanto princípio de logicidade, é importante salientar que, quanto maior a extensão conceitual, menor a compreensão conceitual e, inversamente, quanto menor a extensão conceitual, maior a compreensão conceitual. Para que fique clara e precisa a extensão conceitual do assunto, é importante situá-lo em sua respectiva área de conhecimento, possibilitando, assim, que se visualize a especificidade do objeto no contexto de sua área temática (LEONEL, 2002).
Quando alguém diz que deseja estudar a questão da violência conjugal ou a prostituição masculina, está se referindo ao assunto de seu interesse. Contudo, é necessário para a realização de uma pesquisa um recorte mais “concreto”, mais preciso do assunto (MINAYO, 1999).
Ventura (2002) oferece um exemplo de como pode proceder-se para delimitar um tema:
Tema: O tratamento jurídico da instrumentalização controlada do corpo humano.
Possíveis delimitações: a) As conseqüências jurídicas do tratamento do direito ao corpo como direito pessoal ou como direito de propriedade; ou
b) O exercício individual da liberdade sobre o corpo contraposto ao interesse público; ou
c) A legislação brasileira sobre as práticas biomédicas relacionadas a órgãos e genomas humanos.
Outros exemplos[2]:
- Quando o sigilo bancário deve ser quebrado (OLIVEIRA, 2002).
- A influência do desarmamento da população para a melhoria dos índices de violência urbana em Florianópolis-SC.
- A ordem jurídica comunitária no Mercosul, possibilidades de constituição e eficácia: um estudo sobre a viabilidade de adoção de um tribunal regional para o julgamento de crimes contra os direitos humanos.
- O novo meio alternativo para a solução dos conflitos trabalhistas instituído pela Lei 9.958/2000, visando demonstrar os benefícios e problemas que a referida lei apresenta, destacando a constitucionalidade e legalidade de seus preceitos, bem como a viabilidade para obter a conciliação (SANTOS, 2002).
2 PROBLEMATIZAÇÃO
A formulação do problema é a continuidade da delimitação da pesquisa, sendo ainda mais específica: indica exatamente qual a dificuldade que se pretende resolver ou responder. É a apresentação da idéia central do trabalho, tendo-se o cuidado de evitar termos equívocos e inexpressivos. É um desenvolvimento da definição clara e exata do assunto a ser desenvolvido.
O pesquisador deve contextualizar de forma sucinta o tema de sua pesquisa. Contextualizar significa abordar o tema de forma a identificar a situação ou o contexto no qual o problema a seguir será inserido. Essa é uma forma de introduzir o leitor no tema em que se encontra o problema, permitindo uma visualização situacional da questão (OLIVEIRA, 2002, p. 169).
A escolha de um problema, para Rudio (apud MINAYO, 1999), merece indagações:
1. Trata-se de um problema original e relevante?
2. Ainda que seja “interessante”, é adequado para mim?
3. Tenho hoje possibilidades reais para executar tal estudo?
4. Existem recursos financeiros para o estudo?
5. Há tempo suficiente para investigar tal questão?
O problema, geralmente, é feito sob a forma de pergunta(s). Assim, torna-se fator primordial que haja possibilidade de responder as perguntas ao longo da pesquisa. Da mesma forma, aconselha-se a não fazer muitas perguntas, para não incorrer no erro de não serem apresentadas as devidas respostas.
Exemplos[3]:
- O direito sobre o corpo é de natureza pessoal ou patrimonial? Caso seja patrimonial, trata-se de propriedade individual ou coletiva? (VENTURA, 2002, p. 74).
- Quais as causas determinantes para o rompimento do sigilo bancário de agentes públicos? (OLIVEIRA, 2002, p. 218).
3 OBJETIVOS
Relaciona-se com a visão global do tema e com os procedimentos práticos.
Indicam o que se pretende conhecer, ou medir, ou provar no decorrer da pesquisa, ou seja, as metas que se deseja alcançar.
Podem ser gerais e específicos. No primeiro caso, indicam uma ação muito ampla e, no segundo, procuram descrever ações pormenorizadas ou aspectos detalhados.
Uma ação individual ou coletiva se materializa através de um verbo. Por isso é importante uma grande precisão na escolha do verbo, escolhendo aquele que rigorosamente exprime a ação que o pesquisador pretende executar (BARRETO; HONORATO, 1998).
Outro critério fundamental na delimitação dos objetivos da pesquisa é a disponibilidade de recursos financeiros e humanos e de tempo para a execução da pesquisa, de tal modo que não se corra o risco de torná-la inviável. É preferível diminuir o recorte da realidade do que se perder em um mundo de informações impossíveis de serem tratadas (BARRETO; HONORATO, 1998).
Objetivo(s) geral(is): indicação do resultado pretendido. Por exemplo: identificar, levantar, descobrir, caracterizar, descrever, traçar, analisar, explicar, etc.
Objetivos específicos: indicação das metas das etapas que levarão à realização dos objetivos gerais. Por exemplo: classificar, aplicar, distinguir, enumerar, exemplificar, selecionar, etc.
Exemplo:
Determinar, com base na doutrina e na jurisprudência atual brasileira, quando o sigilo bancário deve ser quebrado, isto é, em quais circunstâncias pode vir a ocorrer a quebra do sigilo bancário dos agentes públicos, de maneira que, preenchidos os requisitos legais, esta seja efetuada sem o perigo de violar qualquer outra norma da legislação (OLIVEIRA, 2002, p. 232).
4 JUSTIFICATIVA
A justificativa envolve aspectos de ordem teórica, para o avanço da ciência, de ordem pessoal/profissional, de ordem institucional (universidade e empresa) e de ordem social (contribuição para a sociedade).
Deve procurar responder: Qual a relevância da pesquisa? Que motivos a justificam? Quais contribuições para a compreensão, intervenção ou solução que a pesquisa apresentará?
Silva e Menezes (2001, p.31) afirmam que o pesquisador precisa fazer algumas perguntas a si mesmo: o tema é relevante? Por quê? Quais pontos positivos você percebe na abordagem proposta? Que vantagens/benefícios você pressupõe que sua pesquisa irá proporcionar?
Ventura (2002, p. 75) afirma o seguinte: o pesquisador deve destacar a relevância do tema para o direito em geral, para a(s) disciplina(s) à(s) qual(is) se filia e para a sociedade. Finalmente, cabe sublinhar a contribuição teórica que adviria da elucidação do tema e a utilidade que a pesquisa, uma vez concluída, pode vir a ter para o curso, para a disciplina ou para o próprio aluno.
Barral (2003, p. 88-89) oferece alguns itens importantes que podem fazer parte de uma boa justificativa. São eles:
a) Atualidade do tema: inserção do tema no contexto atual.
b) Ineditismo do trabalho: proporcionará mais importância ao assunto.
c) Interesse do autor: vínculo do autor com o tema.
d) Relevância do tema: importância social, jurídica, política, etc.
e) Pertinência do tema: contribuição do tema para o debate jurídico.
5 HIPÓTESE(s)
Hipótese é uma expectativa de resultado a ser encontrada ao longo da pesquisa, categorias ainda não completamente comprovadas empiricamente, ou opiniões vagas oriundas do senso comum que ainda não passaram pelo crivo do exercício científico (BARRETO; HONORATO, 1998).
Sob o ponto de vista operacional, a hipótese deve servir como uma das bases para a definição da metodologia de pesquisa, visto que, ao longo de toda a pesquisa, o pesquisador deverá confirmá-la ou rejeitá-la no todo ou em parte (BARRETO; HONORATO, 1998).
Embora diversos autores de metodologia da pesquisa jurídica recomendem a elaboração de hipóteses de trabalho, há também os que questionam tal procedimento: “No âmbito do projeto de monografia jurídica, essa exigência parece bastante questionável, entre outras razões pelo estágio de conhecimento do tema em que se encontra o aluno e pela natureza controversa do objeto, que torna improvável a ´confirmação´ de uma só hipótese.” (VENTURA, 2002, p. 74).
Exemplo:
- Em todas as constatações de improbidade administrativa o sigilo bancário deve ser quebrado (OLIVEIRA, 2002, p. 219).
6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Esta parte fundamenta a pesquisa, é a base de sustentação teórica. Também pode ser chamada de revisão bibliográfica, revisão teórica, fundamentação bibliográfica, estado da arte, revisão de literatura, resenha bibliográfica etc.
Para Silva e Menezes (2001, p.30), nesta fase o pesquisador deverá responder às seguintes questões: quem já escreveu e o que já foi publicado sobre o assunto? Que aspectos já foram abordados? Quais as lacunas existentes na literatura? Pode ser uma revisão teórica, empírica ou histórica.
A fundamentação teórica é importantíssima porque favorecerá a definição de contornos mais precisos da problemática a ser estudada.
De acordo com Barreto e Honorato (1998), considera-se como básica em um projeto de pesquisa uma reflexão breve acerca dos fundamentos teóricos do pesquisador e um balanço crítico da bibliografia diretamente relacionada com a pesquisa, compondo aquilo que comumente é chamado de quadro teórico ou balanço atual das artes.
Neste item o pesquisador deve apresentar ao leitor as teorias principais que se relacionam com o tema da pesquisa. Cabe à revisão da literatura, a definição de termos e de conceitos essenciais para o trabalho.
O que se diz sobre o tema na atualidade, qual o enfoque que está recebendo hoje, quais lacunas ainda existem etc. Aqui também é fundamental a contribuição teórica do autor da pesquisa.
7 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Os procedimentos metodológicos respondem: Como? Com quê? Onde?
A metodologia da pesquisa num planejamento deve ser entendida como o conjunto detalhado e seqüencial de métodos e técnicas científicas a serem executados ao longo da pesquisa, de tal modo que se consiga atingir os objetivos inicialmente propostos e, ao mesmo tempo, atender aos critérios de menor custo, maior rapidez, maior eficácia e mais confiabilidade de informação (BARRETO; HONORATO, 1998).
Segundo Ventura (2002, p.76-77), são incontáveis e absolutamente diversas as classificações da metodologia que se pode encontrar na literatura especializada.
7.1 Tipo de pesquisa
7.1.1 Quanto aos objetivos
Segundo Gil (2002), uma pesquisa, tendo em vista seus objetivos, pode ser classificada da seguinte forma:
a) Pesquisa exploratória: Esta pesquisa tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito. Pode envolver levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas experientes no problema pesquisado. Geralmente, assume a forma de pesquisa bibliográfica e estudo de caso.
b) Pesquisa descritiva: Tem como objetivo primordial a descrição das características de determinadas populações ou fenômenos. Uma de suas características está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática.
Destacam-se também na pesquisa descritiva aquelas que visam descrever características de grupos (idade, sexo, procedência etc.), como também a descrição de um processo numa organização, o estudo do nível de atendimento de entidades, levantamento de opiniões, atitudes e crenças de uma população, etc.
Também são pesquisas descritivas aqueles que visam descobrir a existência de associações entre variáveis, como, por exemplo, as pesquisas eleitorais que indicam a relação entre o candidato e a escolaridade dos eleitores.
c) Pesquisa explicativa: A preocupação central é identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. É o tipo que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas. Por isso, é o tipo mais complexo e delicado.
7.1.2 Quanto aos procedimentos técnicos
Segundo Gil (2002), uma pesquisa, quanto aos seus procedimentos técnicos, pode ser classificada da seguinte forma:
a) Pesquisa bibliográfica: é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Não é aconselhável que textos retirados da Internet constituam o arcabouço teórico do trabalho monográfico.
b) Pesquisa documental: É muito parecida com a bibliográfica. A diferença está na natureza das fontes, pois esta forma vale-se de materiais que não receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa. Além de analisar os documentos de “primeira mão” (documentos de arquivos, igrejas, sindicatos, instituições etc.), existem também aqueles que já foram processados, mas podem receber outras interpretações, como relatórios de empresas, tabelas etc.
c) Pesquisa experimental: quando se determina um objeto de estudo, seleciona-se as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, define-se as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto.
d) Levantamento: é a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para, em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados.
Quanto o levantamento recolhe informações de todos os integrantes do universo pesquisado, tem-se um censo.
e) Estudo de campo: procura o aprofundamento de uma realidade específica. É basicamente realizada por meio da observação direta das atividades do grupo estudado e de entrevistas com informantes para captar as explicações e interpretações do ocorre naquela realidade.
Para Ventura (2002, p. 79), a pesquisa de campo deve merecer grande atenção, pois devem ser indicados os critérios de escolha da amostragem (das pessoas que serão escolhidas como exemplares de certa situação), a forma pela qual serão coletados os dados e os critérios de análise dos dados obtidos.
f) Estudo de caso: consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento.
Caracterizado por ser um estudo intensivo. É levada em consideração, principalmente, a compreensão, como um todo, do assunto investigado. Todos os aspectos do caso são investigados. Quando o estudo é intensivo podem até aparecer relações que de outra forma não seriam descobertas (FACHIN, 2001, p. 42).
g) Pesquisa-ação: um tipo de pesquisa com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo (THIOLLENT, 1986, p.14).
7.2 Método
O método, segundo Garcia (1998, p.44), representa um procedimento racional e ordenado (forma de pensar), constituído por instrumentos básicos, que implica utilizar a reflexão e a experimentação, para proceder ao longo do caminho (significado etimológico de método) e alcançar os objetivos preestabelecidos no planejamento da pesquisa (projeto).
Segundo Lakatos e Marconi (1995, p. 106), os métodos podem ser subdivididos em métodos de abordagem e métodos de procedimentos.
7.2.1 Método de abordagem
a) Dedutivo: Parte de teorias e leis mais gerais para a ocorrência de fenômenos particulares.
b) Indutivo: O estudo ou abordagem dos fenômenos caminha para planos cada vez mais abrangentes, indo das constatações mais particulares às leis e teorias mais gerais.
c) Hipotético-dedutivo: que se inicia pela percepção de uma lacuna nos conhecimentos acerca da qual formula hipóteses e, pelo processo dedutivo, testa a ocorrência de fenômenos abrangidos pela hipótese.
d) Dialético: que penetra o mundo dos fenômenos através de sua ação recíproca, da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade.
7.2.2 Método de procedimento
a) Histórico: Parte do princípio de que as atuais formas de vida e de agir na vida social, as instituições e os costumes têm origem no passado, por isso é importante pesquisar suas raízes para compreender sua natureza e função.
b) Monográfico: Para Lakatos e Marconi (1996, p. 151) é “[...] um estudo sobre um tema específico ou particular de suficiente valor representativo e que obedece a rigorosa metodologia. Investiga determinado assunto não só em profundidade, mas em todos os seus ângulos e aspectos, dependendo dos fins a que se destina”.
c) Comparativo: Consiste em investigar coisas ou fatos e explicá-los segundo suas semelhanças e suas diferenças. Geralmente o método comparativo aborda duas séries de natureza análoga tomadas de meios sociais ou de outra área do saber, a fim de detectar o que é comum a ambos.
Este método é de grande valia e sua aplicação se presta nas diversas áreas das ciências, principalmente nas ciências sociais. Esta utilização deve-se pela possibilidade que o estudo oferece de trabalhar com grandes grupamentos humanos em universos populacionais diferentes e até distanciados pelo espaço geográfico. (FACHIN, 2001, p.37).
d) Etnográfico: Estudo e descrição de um povo, sua língua, raça, religião, cultura...
e) Estatístico: Método que implica em números, percentuais, análises estatísticas, probabilidades. Quase sempre associado à pesquisa quantitativa.
Para Fachin (2001, p. 46), este método se fundamenta nos conjuntos de procedimentos apoiados na teoria da amostragem e, como tal, é indispensável no estudo de certos aspectos da realidade social em que se pretenda medir o grau de correlação entre dois ou mais fenômenos. Para o emprego desse método, necessariamente o pesquisador deve ter conhecimentos das noções básicas de estatística e saber como aplicá-las.
O método estatístico se relaciona com dois termos principais: população e universo.
7.3 Delimitação do Universo a ser pesquisado
Se a pesquisa for de campo e/ou envolver o método estatístico, o tipo de amostragem também precisará ser explicado.
Universo é o conjunto de fenômenos, todos os fatos apresentando uma característica comum, e população como um conjunto de números obtidos, medindo-se ou contando-se certos atributos dos fenômenos ou fatos que compõem um universo.
7.4 Técnicas para coleta de dados
A principal forma de coleta de dados é a leitura (livros, revistas, jornais, sites, CDs etc.), que certamente é utilizada para todos os tipos de pesquisa. Esta técnica também é chamada de pesquisa bibliográfica.
Existem, basicamente, dois tipos de dados:
· Dados secundários: são os dados que já se encontram disponíveis, pois já foram objeto de estudo e análise (livros, teses, CDs, etc.).
· Dados primários: dados que ainda não sofreram estudo e análise. Para coletá-los, pode-se utilizar: questionário fechado, questionário aberto, formulário, entrevista estruturada ou fechada, entrevista semi-estruturada, entrevista aberta ou livre, entrevista de grupo, discussão de grupo, observação dirigida ou estruturada, observação livre, brainstorming, brainwriting, etc.
7.5 Análise e interpretação dos dados
Segundo Rauen (1999, p. 141), é a parte que apresenta os resultados obtidos na pesquisa e analisa-os sob o crivo dos objetivos e/ou das hipóteses. Assim, a apresentação dos dados é a evidência das conclusões e a interpretação consiste no contrabalanço dos dados com a teoria.
Para Triviños (1996, p.161), o processo de análise de conteúdo pode ser feito da seguinte forma: pré-análise (organização do material), descrição analítica dos dados (codificação, classificação, categorização), interpretação referencial (tratamento e reflexão).
O objetivo da análise é sumariar as observações, de forma que estas permitam respostas às perguntas da pesquisa. O objetivo da interpretação é a procura do sentido mais amplo de tais respostas, por sua ligação com outros conhecimentos já obtidos (SELLTIZ et al apud RAUEN, 1999, p. 122).
A interpretação também é um processo de analogia com os estudos assemelhados, de forma que os resultados obtidos são comparados com resultados similares para destacar pontos em comum e pontos de discordância.
Em síntese, é a descrição da forma como serão analisados os dados da pesquisa. Existem duas grandes tendências:
a) se a pesquisa for qualitativa, as respostas podem ser interpretadas global e individualmente;
b) se for quantitativa, provavelmente serão utilizadas tabelas e estatística.
Exemplo:
Como não há dados estatísticos para desenvolver uma representação gráfica, a análise percorrerá os caminhos dos autores, profissionais do Direito e outros pesquisados. Os dados coletivos serão analisados agrupando-os por similaridades e encontrando o que os faz divergentes e comuns (OLIVEIRA, 2002, p. 231).
8 CRONOGRAMA
Tempo necessário para a realização de cada uma das partes propostas da monografia. Deve ser efetuado com muito realismo.
Segue uma sugestão, segundo Santos (2002):
9 PLANO PROVISÓRIO DA MONOGRAFIA
Assim como um sumário, o pesquisador mostrará o provável plano da monografia, contendo as seções primárias (capítulos) e secundárias (subitens).
É necessário coerência com o referencial teórico e metodológico planejado.
10 REFERÊNCIAS
Elenco de fontes citadas para a realização do projeto de pesquisa durante a:
- Metodologia da pesquisa
- Instrumental teórico.
11 REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES[4]
Elenco de fontes consultadas, mas não citadas no projeto.
REFERÊNCIAS
BARRAL, Welber. Metodologia da pesquisa jurídica. 2. ed. Florianópolis: Fundação Boitex, 2003.
BARRETO, Alcyrus Vieira Pinto; HONORATO, Cezar de Freitas. Manual de sobrevivência na selva acadêmica. Rio de Janeiro: Objeto Direto, 1998.
BARROS, Aidil de Jesus Paes de; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Projeto de pesquisa: propostas metodológicas. 8. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.
FACHIN, Odília. Fundamentos de metodologia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2001.
GARCIA, Eduardo Alfonso Cadavid. Manual de sistematização e normalização de documentos técnicos. São Paulo: Atlas, 1998.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2002.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1995.
LEONEL, Vilson (Org.). Diretrizes para a elaboração e apresentação da monografia do curso de Direito. Tubarão, 2002.
MÁTTAR NETO, João Augusto. Metodologia científica na era da informática. São Paulo: Saraiva, 2002.
MINAYO, Maria Cecília de Souza et al. (Org.) Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 2. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1994. 80 p.
NUNES, Luiz Antonio Rizzatto. Manual da monografia jurídica. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1997.
OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Metodologia científica aplicada ao Direito. São Paulo: Thomson, 2002.
RAUEN, Fábio José. Elementos de iniciação à pesquisa. Rio do Sul, SC: Nova Era, 1999.
RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 22. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.
SANTOS, Rodrigo Mendes dos. As comissões de conciliação prévia como meio alternativo à jurisdição estatal para a solução dos conflitos trabalhistas. 2002. 15 f. Projeto de pesquisa apresentado ao curso de Direito, Universidade do Sul de Santa Catarina, Palhoça, SC.
SILVA, Edna Lúcia da; MENEZES, Estera Muskat. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. 3. ed. rev. e atual. Florianópolis: Laboratório de Ensino à Distância da UFSC, 2001.
THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa - ação. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1986.
TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas , 1987.
VENTURA, Deisy. Monografia jurídica. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2002.
[1] Os elementos aqui apresentados são fundamentais para a elaboração de um bom projeto de pesquisa. Vale lembrar, no entanto, que esta não é uma regra rígida para ser seguida. Existe muita literatura sobre o assunto e várias das questões tratadas aqui não são consensuais. Portanto, é importante considerar outras fontes de consulta, inclusive o orientador.
[2] Evitar abordagens vagas e imprecisas. Por exemplo: “O novo Código Civil”; “O Mercosul”.
[3] Antes de fazer a(s) pergunta(s) de pesquisa, é fundamental contextualizar o tema em questão.
[4] Este item não consta como elemento do trabalho acadêmico nas normas da ABNT. Optou-se por colocá-lo aqui para diferenciar as obras efetivamente citadas no trabalho das obras consultadas (não citadas). Portanto, trata-se de um item opcional no trabalho acadêmico.
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008
mais sobre projetos - manual
MANUAL PARA A REDAÇÃO DE TESES, PROJETOS
DE PESQUISA E ARTIGOS CIENTÍFICO
NELSON SPECTOR
SPECTOR, Nelson. Manual para a Redação de Teses, Projetos de Pesquisa e Artigos Científicos 2ed. Rio de Janeiro – Guanabara Koogan, 2001
Roteiro para a Redação de um Projeto de Pesquisa
Em quase todas as empreitadas humanas, o planejamento é uma chave para o sucesso. São raras as exceções, como uma viagem ou uma peça de jazz, nas quais interessa mais a aventura e o improviso.
E determinadas atividades, porém, o planejamento meticuloso não é apenas vantajoso, mas obrigatório. Uma obra de engenharia só começa após o detalhamento das plantas. Um piloto só decola com um plano de vôo. Uma reunião só deve começar quando já está tudo decidido (segundo José Maria Alkmin). E uma pesquisa só deve iniciar após a confecção do projeto de pesquisa.
Quando aceito em um curso de pós-graduação ou em programa de iniciação científica, o aluno deve-se vincular a um orientador, passando a integrar a equipe que desenvolve uma linha de pesquisa. É consenso entre os coordenadores de pós-graduação que o sucesso ou o fracasso de uma pesquisa definem-se pelo binômio aluno(a)-orientador(a).
Ainda que o tema geral da pesquisa seja determinado pela linha de pesquisa do orientador, o aluno precisará sempre aprofundar a análise de um determinado tópico que pareça adequado como tema do seu projeto de pesquisa. A análise tem dois componentes, um teórico e um prático. A análise teórica consiste na revisão bibliográfica aprofundada daquele tópico, de modo a verificar o grau de originalidade e de propriedade na execução de um determinado experimento, assim como os aspectos técnicos nele envolvidos. Já as considerações práticas referem-se, naturalmente, às possibilidades materiais de efetuar o estudo (tempo, local, recursos, equipamentos e outros).
Finalidades do projeto de pesquisa
O projeto de pesquisa atende a diversas finalidades:
1. Serve como um roteiro de planejamento das atividades do aluno, facilitando a sua adaptação às atividades da pesquisa.
2. Permite antecipar dificuldades metodológicas que poderiam comprometer o sucesso do estudo.
3. Visa a identificar as necessidades materiais do estudo e, dessa forma, estabelecer o montante de recursos necessários à sua realização.
4. permite a apreciação do estudo por comissões de ética em pesquisa e por outras instâncias reguladoras da pesquisa na instituição.
5. É um instrumento de enorme valia na avaliação de um candidato a aluno de programa de pós-graduação e na avaliação ulterior do desenvolvimento de suas atividades.
Primeira etapa: a revisão da literatura
O primeiro passo para o preparo de um projeto de pesquisa é a pesquisa bibliográfica. os recursos eletrônicos revolucionaram, na última década, a forma como se faz essa pesquisa. As bibliotecas dispõem de extensas base de dados em CD-ROM, e há na Internet serviços gratuitos para o mesmo fim.
O aluno deve determinar, com a ajuda do seu orientador, quais as palavras mais relevantes para incluir nas buscas. Idealmente, ambos devem realizar uma primeira busca juntos, identificando os artigos mais importantes. Em seguida, o aluno deve obter esses artigos na íntegra e estudá-los cuidadosamente. O aluno deve atentar não somente para o objetivo e as conclusões do artigo, mas também para os métodos empregados e suas limitações.
De posse dessas informações, aluno e orientador buscam estabelecer quais as questões mais relevantes que permanecem em aberto sobre o tema, mas passíveis de serem abordadas com o uso da tecnologia e do conhecimento disponíveis na instituição. O resultado desse processo á a determinação do objetivo da pesquisa, ponto de partida para redação do projeto de pesquisa.
A Estrutura de um Projeto de Pesquisa
Informações Gerais
A primeira página do projeto deve conter o projeto, o nome dos pesquisadores participantes com sua titulação e filiação institucional, o nome das instituições envolvidas e o local de realização do estudo.
Ementa do Projeto
A segunda página deve trazer, idealmente, uma ementa do projeto, para que o leitor possa assimilar rapidamente os aspectos essenciais do projeto. A ementa pode ser dividida em três partes, para facilitar a sua elaboração: fundamentos, objetivos e métodos. Cada uma dessas partes deve ser composta de um ou no máximo dois parágrafos, de maneira semelhante ao resumo de um artigo científico.
Fundamentos
Na terceira página inicia-se o projeto propriamente dito, pela redação de uma revisão da literatura recente sobre o tema do estudo. A redação da revisão cumpre um objetivo pedagógico essencial, ao obrigar o aluno a debruçar-se sobre o tema e aprender o que já se conhece sobre ele. É preciso que o aluno seja capaz de fazer uma leitura crítica do material disponível, identificando a qualidade das evidências apresentadas pelos diversos autores. Essa parte do projeto de pesquisa pode usualmente ser aproveitada, quase na íntegra, na redação do trabalho final. Tempo dos verbos: pretérito perfeito.
Objetivos
Em seguida, o projeto deverá descrever, de forma concisa e clara, o(s) objetivo(s) do estudo. Tempo dos verbos: infinitivo.
Métodos
Nesta seção, devem ser detalhados os métodos que se pretende empregar, de preferência subdivididos nos diversos itens que detalharemos a seguir. Tempo dos verbos: futuro.
Desenho do estudo
Devem-se descrever aqui as características do estudo: se é de observação ou de intervenção, prospectivo ou retrospectivo, com ou sem randomização e mascaramento.
Contexto
Local ou locais onde o estudo será realizado. Devem ser mencionadas as peculiaridades do contexto que possam afetar a generalização dos resultados obtidos; como, por exemplo, a alta incidência de determinada doença naquela região, o status nutricional dos pacientes estudados ou uma eventual indisponibilidade de determinados recursos (métodos diagnósticos, tratamentos de alta complexidade).
Definições
Todas as definições empregadas no estudo devem ser detalhadas. Isso inclui a definição de termos aparentemente óbvios, mas que para o estudo requerem definição operacional. Por exemplo, pacientes febris, neutropênicos, hipertensos, ou mesmo pacientes brancos e negros; é necessário definir o significado desses termos no âmbito do estudo.
Critérios de inclusão e exclusão
A descrição meticulosa da amostra estudada é essencial para a interpretação dos resultados do estudo. Critérios de inclusão são as características dos indivíduos que os definem como candidatos ao estudo. Critérios de exclusão são aqueles que bloqueiam a entrada no estudo de indivíduos que atendem aos critérios de inclusão.
Procedimentos
Aqui o autor deve descrever, passo a passo, o que será feito. Devem-se mencionar as técnicas e descrever os equipamentos, os reagentes e os softwares que serão empregados.
Variáveis e desfecho estudados
As variáveis e os desfechos que serão utilizados para a análise dos resultados devem ser descritos e, se necessário, definidos.
Métodos estatísticos
O aluno deve buscar a ajuda de seu orientador e, se necessário, de um estatístico, para determinar de antemão quais os procedimentos estatísticos que serão empregados após a coleta dos dados. De igual importância são as considerações sobre o poder estatístico do estudo e o tamanho da amostra necessária para se alcançar o objetivo proposto.
Etapas e cronograma
As etapas do estudo devem ser descritas em ordem cronológica, As etapas podem envolver o treinamento do aluno, a implantação de técnicas e equipamentos, a realização de uma pesquisa-piloto, a coleta efetiva dos dados, a análise dos dados e a redação do trabalho final. Um cronograma deve ser apresentado de forma gráfica, descrevendo o tempo planejamento para a realização de cada uma das etapas, de acordo com o modelo apresentado a seguir.
Cronograma para a realização do estudo (em meses)
Orçamento
Todas as despesas previstas devem ser detalhadas, identificando as despesas com pessoal, com material de consumo e com material permanente. O orçamento deve conter informações detalhadas sobre os custos de cada quesito e, de preferência, vir acompanhado de uma comprovação dos valores obtidos em consulta ao mercado fornecedor.
Documentação complementar
Referências bibliográficas
Devem ser detalhadas as referências citadas no texto (veja o capítulo 6 deste manual).
Formulários
Formulários para a coleta ou análise dos dados, e tabelas de classificação de informações relevantes para a pesquisa, devem ser anexados ao projeto.
Consentimento informado
Seguir as normas da resolução 196/96 (http://www.datasus.gov.br/conselho/resol96/%20res19696.htm) e as normas adicionais determinadas pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição.
Roteiro para a redação de um
artigo científico
O formato atual dos artigos científicos resulta de séculos de tradição, com adaptações determinadas por questões éticas e práticas editoriais modernas.
O formato propicia aos autores a consecução de diversos objetivos: 1. informar com objetividade os fundamentos, a metodologia e os resultados de um estudo científico, de tal forma que a comunidade científica possa reproduzir o experimento e analisar os resultados de forma independente; 2. especular sobre o significado dos achados; e 3. fazê-o com concisão, para que toda a produção científica relevante tenha espaço nos periódicos existentes.
O leitor encontrará, em outras partes deste manual, informações úteis para a redação de um artigo científico. Os manuais de formato e de estilo para a redação de teses aplicam-se em boa parte à redação de artigos. Também é aconselhada a leitura dos capítulos sobre os aspectos éticos da pesquisa (capítulo 22) e sobre o uso do software Word (capítulo 23). Para evitar repetições desnecessárias, neste capítulo será apresentado apenas um roteiro para a redação de um artigo científico.
A escolha do periódico
Para otimizar as chances de que um artigo científico seja aceito para publicação, é essencial enviá-lo para um período apropriado. O mercado´de periódicos científicos, como de resto todo o mercado editorial, está fortemente segmentado, com periódicos voltados para áreas bem delimitadas do conhecimento. Periódicos com esse perfil podem ter uma disponibilidade de publicação muito maior do que outros de perfil editorial mais aberto. Uma pesquisa sobre oncogenes associados ao neutoblastoma, por exemplo, poderá ser mais facilmente aceita nos periódicos Oncogene e Oncogene Research do que na Neurology ou no Annals of Internal Medicine.
Para outro lado, a exigência mundial por maior produção científica nos meios acadêmicos resultou em um aumento acentuado do número de artigos que chegam aos editores. O periódico deve ser escolhido de acordo com o potencial científico e as características do artigo. De nada adianta enviar um relato de casos para um periódico que não tenha uma sessão de relato de casos.
Após escolher o periódico, obtenha uma versão atualizada das Instruções para os Autores e siga rigorosamente as instruções ali contidas, nos mínimos detalhes. As Instruções estão disponíveis em pelo menos um exemplar de cada volume do periódico, e também pela Internet, na homepage do periódico. A Faculdade de Medicina de Ohio mantém uma excelente lista com links para a Instruções para os Autores de centenas de periódicos da área de saúde (http://www.com.edu/lib/instr/libinsta.html).
A seguir, serão fornecidas instruções para a redação de cada parte do artigo.
Título
O título deve conter o menor número de palavras capazes de descrever com precisão o conteúdo do artigo. Expressões desnecessárias devem ser omitidas.
Tenho em mente que o sistemas eletrônicos de indexação buscam as palavras solicitada no título e no resumo (abstract) do artigo. Escolha cuidadosamente palavras que poderão ser usadas por leitores interessados no tema de seu estudo. Devido à importância dos estudos prospectivos em medicina, é recomendável que o título desses artigos contenha a expressão “estudo prospectivo”. Para mais detalhes, leia o final do capítulo 4.
Lista de palavras-chave
A maioria dos periódicos solicita uma lista de palavras-chave. Antes do advento dos sistemas eletrônicos de busca da literatura nos anos 90, tais como o PubMde (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez), a busca da literatura era toda baseada em palavras-chave. A extensa lista de palavras-chave adotada pela National Libarary fo Medicine pode ser consultada de forma interativa pela Internet (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/%20meshbrowser.cgi).
A bibliotecária da sua instituição pode ser de grande ajuda na seleção das palavras-chave. Evite palavras excessivamente genéricas, como “terapêutica” e “diagnóstico”. Procure acrescentar palavras relevantes que não constem do título do abstract.
Resumo (abstract)
O resumo é a parte mais lida do artigo. É através do resumo que os leitores decidem se irão ler o artigo na íntegra. O texto do resumo deve ser um modelo de clareza e objetividade.
Verifique nas Instruções para os Autores: se o periódico utilizar resumos convencionais ou estruturados, prepare o resumo de acordo.
O resumo pode ser iniciado de duas formas: afirmando, em uma frase, a razão pela qual o estudo foi feito, seguida de outra frase descrevendo o que foi feito; ou apenas descrevendo objetivamente o que foi feito.
Exemplo de início do resumo com uma descrição inicial do fundamento do estudo:
“O desaparecimento do cromossomo Philadelphia durante o tratamento da leucemia mielóide crônica tornou-se um importante objetivo terapêutico. Para determinar o valor adicional da monitoração molecular durante o tratamento da leitura mielóide crônica, realizamos uma análise prospectiva seqüencial utilizando a monitoração quantitativa com Southern blot dos rearranjos do gene BCR em amostras de sangue e de medula óssea.”
Exemplo de início do resumo sem a descrição do fundamento do estudo (a descrição do estudo já deixa implícito o seu objetivo):
“Sintomas persistentes da náusea, ansiedade e vômitos desencadeados pela lembrança do tratamento antineoplásico foram examinados em 273 sobreviventes de Doenças de Hodgkin, 1 a 20 anos após o fim do tratamento.”
Informe e seguida os métodos empregados no estudo (desenho e técnicas). Não é preciso fornecer detalhes dos métodos no resumo, basta citá-los.
Os resultados mais relevantes do estudo são descritos a seguir. Não basta informar que “A foi diferente de B”. É preciso informar valores e, sempre que possível, intervalos de confiança. Resultados positivos e negativos são igualmente relevantes.
Algumas recomendações:
+ não exceda 250 palavras ou o limite máximo determinado nas Instruções para os Autores. Use o mínimo de palavras possível.
+ não use abreviaturas.
+ não use tabelas.
+ não faça referência a tabela no texto do artigo ou a referências bibliográficas.
Introdução
A introdução tem um duplo objetivo: descrever os fundamentos do estudo e a literatura relevante sobre o tema. Em outras palavras, é preciso informar ao leitor por que foi feito o estudo e o que se sabia antes de o estudo ser realizado. Deve-se fornecer o maior número de informações possível em apenas dois ou três parágrafos. Para isso, devem-se evitar frases genéricas ou redundantes. É desnecessário, por exemplo, em um estudo sobre diabetes mellitus, fornecer uma definição de diabetes mellitus ou afirmar que “o diabetes mellitus é uma doença de alta prevalência na população mundial”. O essencial aqui é introduzir com clareza a literatura pertinente.
A introdução deve ser encerrada com uma breve descrição do objetivo do estudo e do que foi feito. Exemplo:
“Para determinar o valor prognóstico da dosagem sérica de homocisteína em pacientes com infarto agudo do miocárdio, estudamos a homocisteinemia em jejum de pacientes que haviam sofrido um infarto agudo do miocárdio e correlacionamos o seu resultado com a ocorrência de complicações do infarto agudo do miocárdio.”
Alguns autores preferem incluir aqui uma descrição sucinta dos principais achados, mas de modo geral isso não é recomendado.
Métodos
O propósito desta seção é fornecer todas as informações necessárias para que um outro pesquisador possa repetir com exatidão o experimento. Descreva o desenho do estudo, cálculos prévios sobre o tamanho da amostra a ser estudada, período e contexto de sua realização, critérios de inclusão e de exclusão, variáveis, estudadas, definições adotadas, métodos estatísticos e técnicas laboratoriais. Se necessário, forneça a marca e o modelo dos equipamentos, reagentes e softwares. Caso tenham sido usados métodos já descritos por outros pesquisadores, basta mencioná-los e fornecer a referência. Por outro lado, métodos originais devem ser minuciosamente detalhados. A seção de métodos pode ser subdividida em partes, delimitadas com subtítulos, nas quais são descritos os diversos aspectos já mencionados.
A ordem de apresentação é usualmente cronológica. Descreva passo a passo como se desenvolveu o estudo (o tempo de verbo é o pretérito perfeito). Há um certa controvérsia sobre o uso da voz ativa ou da voz passiva na literatura científica. Os defensores da voz passiva (“Foi feita uma análise...”) consideram-se mais elegantes e modesta; já os defensores da voz ativa (“Fiz [fizemos] uma análise...”) afirmam que essa é mais objetiva e deixa clara a responsabilidade pelo que foi feito. No Brasil, ainda há ampla preferência pela voz passiva. Qualquer que seja a sua escolha, ela deve ser consistente em todo o texto.
Resultados
Aqui são apresentados os achados do estudo, sem qualquer comentário ou interpretação. Todo o esforço é voltado para a clareza e concisão da apresentação dos resultados. Dados numéricos detalhados devem ser digeridos e organizados em tabelas que indiquem valores das médias, medianas ou proporções, como for apropriado. A variação dos dados deve ser sempre expressa através do desvio-padrão ou erro-padrão das médias, do intervalo, no caso de medianas, e dos intervalos de confiança calculados. Os achados mais relevantes do trabalho deve ser apresentados com destaque; se preciso, utilizar gráficos para melhor esclarecer tendências ou diferenças entre grupos. Na use gráficos para demonstrar aspectos secundários do estudo (exemplos: distribuição por sexo ou faixa etária).
Tabelas e figuras devem ser auto-explicativas, i. e., deve ser possível compreender o seu conteúdo sem recorrer ao texto. Para isso, a legenda deve descrever claramente o conteúdo, e todas as abreviaturas devem ser definidas. Evite enviar figuras coloridas, salvo se for absolutamente necessário; elas encarecem muito a publicação, e o custo geralmente é passado para o autor. leia mais sobre tabelas e figuras no capítulo 17.
Discussão
Os resultados são discutidos e comparados com os achados prévios. Só cabe discutir os resultados apresentados no presente estudo e as suas implicações.
Procure responder às seguintes questões:
+ Como os resultados se comparam com o que foi publicado antes?
+ Se houver resultados divergentes, quais as possíveis razões para isso?
+ Se o estudo teve limitações metodológicas, quais foram e de que forma podem ter comprometido a consecução do objetivo do estudo?
+ Quais as respostas que surgiram com a realização do estudo?
+ Quais as novas perguntas que surgiram com a realização do estudo?
Evite:
+ usar na argumentação dados que constem do estudo nem da literatura
+ repetir os resultados já descritos na seção própria
+ repetir o que já foi dito na Introdução
+ tirar conclusões ou formular hipóteses além do que os dados permitem
O tamanho e a qualidade do texto
Seja extremamente econômico na limitação do tamanho do texto do manuscrito. Nem pense em mandar um artigo com 30 páginas para um periódico, a não ser que você tenha descoberto a cura do câncer ¾ e, nesse caso, talvez só seja necessária uma página. para um editor, é muito melhor publicar três artigos, cada um com quatro páginas, do que apenas um artigo com doze páginas. para a ciência, também é melhor, e mais justo, pois só assim haverá a possibilidade de se publicar tudo o que merece ser publicado.
O leitor mais rigoroso do trabalho deve ser o autor. Imprima e leia tudo o que digitar, relendo-o com um intervalo de alguns dias e com uma caneta vermelha na mão. Corte parágrafos inteiros, reescreva, sintetize, mude a ordem dos parágrafos para melhorar a influência do argumento. Quando achar que conseguiu um artigo de boa qualidade, peça a pessoas de sua confiança que leiam e critiquem o texto . Em caso de múltiplos autores, todos têm a obrigação de ler, contr
DE PESQUISA E ARTIGOS CIENTÍFICO
NELSON SPECTOR
SPECTOR, Nelson. Manual para a Redação de Teses, Projetos de Pesquisa e Artigos Científicos 2ed. Rio de Janeiro – Guanabara Koogan, 2001
Roteiro para a Redação de um Projeto de Pesquisa
Em quase todas as empreitadas humanas, o planejamento é uma chave para o sucesso. São raras as exceções, como uma viagem ou uma peça de jazz, nas quais interessa mais a aventura e o improviso.
E determinadas atividades, porém, o planejamento meticuloso não é apenas vantajoso, mas obrigatório. Uma obra de engenharia só começa após o detalhamento das plantas. Um piloto só decola com um plano de vôo. Uma reunião só deve começar quando já está tudo decidido (segundo José Maria Alkmin). E uma pesquisa só deve iniciar após a confecção do projeto de pesquisa.
Quando aceito em um curso de pós-graduação ou em programa de iniciação científica, o aluno deve-se vincular a um orientador, passando a integrar a equipe que desenvolve uma linha de pesquisa. É consenso entre os coordenadores de pós-graduação que o sucesso ou o fracasso de uma pesquisa definem-se pelo binômio aluno(a)-orientador(a).
Ainda que o tema geral da pesquisa seja determinado pela linha de pesquisa do orientador, o aluno precisará sempre aprofundar a análise de um determinado tópico que pareça adequado como tema do seu projeto de pesquisa. A análise tem dois componentes, um teórico e um prático. A análise teórica consiste na revisão bibliográfica aprofundada daquele tópico, de modo a verificar o grau de originalidade e de propriedade na execução de um determinado experimento, assim como os aspectos técnicos nele envolvidos. Já as considerações práticas referem-se, naturalmente, às possibilidades materiais de efetuar o estudo (tempo, local, recursos, equipamentos e outros).
Finalidades do projeto de pesquisa
O projeto de pesquisa atende a diversas finalidades:
1. Serve como um roteiro de planejamento das atividades do aluno, facilitando a sua adaptação às atividades da pesquisa.
2. Permite antecipar dificuldades metodológicas que poderiam comprometer o sucesso do estudo.
3. Visa a identificar as necessidades materiais do estudo e, dessa forma, estabelecer o montante de recursos necessários à sua realização.
4. permite a apreciação do estudo por comissões de ética em pesquisa e por outras instâncias reguladoras da pesquisa na instituição.
5. É um instrumento de enorme valia na avaliação de um candidato a aluno de programa de pós-graduação e na avaliação ulterior do desenvolvimento de suas atividades.
Primeira etapa: a revisão da literatura
O primeiro passo para o preparo de um projeto de pesquisa é a pesquisa bibliográfica. os recursos eletrônicos revolucionaram, na última década, a forma como se faz essa pesquisa. As bibliotecas dispõem de extensas base de dados em CD-ROM, e há na Internet serviços gratuitos para o mesmo fim.
O aluno deve determinar, com a ajuda do seu orientador, quais as palavras mais relevantes para incluir nas buscas. Idealmente, ambos devem realizar uma primeira busca juntos, identificando os artigos mais importantes. Em seguida, o aluno deve obter esses artigos na íntegra e estudá-los cuidadosamente. O aluno deve atentar não somente para o objetivo e as conclusões do artigo, mas também para os métodos empregados e suas limitações.
De posse dessas informações, aluno e orientador buscam estabelecer quais as questões mais relevantes que permanecem em aberto sobre o tema, mas passíveis de serem abordadas com o uso da tecnologia e do conhecimento disponíveis na instituição. O resultado desse processo á a determinação do objetivo da pesquisa, ponto de partida para redação do projeto de pesquisa.
A Estrutura de um Projeto de Pesquisa
Informações Gerais
A primeira página do projeto deve conter o projeto, o nome dos pesquisadores participantes com sua titulação e filiação institucional, o nome das instituições envolvidas e o local de realização do estudo.
Ementa do Projeto
A segunda página deve trazer, idealmente, uma ementa do projeto, para que o leitor possa assimilar rapidamente os aspectos essenciais do projeto. A ementa pode ser dividida em três partes, para facilitar a sua elaboração: fundamentos, objetivos e métodos. Cada uma dessas partes deve ser composta de um ou no máximo dois parágrafos, de maneira semelhante ao resumo de um artigo científico.
Fundamentos
Na terceira página inicia-se o projeto propriamente dito, pela redação de uma revisão da literatura recente sobre o tema do estudo. A redação da revisão cumpre um objetivo pedagógico essencial, ao obrigar o aluno a debruçar-se sobre o tema e aprender o que já se conhece sobre ele. É preciso que o aluno seja capaz de fazer uma leitura crítica do material disponível, identificando a qualidade das evidências apresentadas pelos diversos autores. Essa parte do projeto de pesquisa pode usualmente ser aproveitada, quase na íntegra, na redação do trabalho final. Tempo dos verbos: pretérito perfeito.
Objetivos
Em seguida, o projeto deverá descrever, de forma concisa e clara, o(s) objetivo(s) do estudo. Tempo dos verbos: infinitivo.
Métodos
Nesta seção, devem ser detalhados os métodos que se pretende empregar, de preferência subdivididos nos diversos itens que detalharemos a seguir. Tempo dos verbos: futuro.
Desenho do estudo
Devem-se descrever aqui as características do estudo: se é de observação ou de intervenção, prospectivo ou retrospectivo, com ou sem randomização e mascaramento.
Contexto
Local ou locais onde o estudo será realizado. Devem ser mencionadas as peculiaridades do contexto que possam afetar a generalização dos resultados obtidos; como, por exemplo, a alta incidência de determinada doença naquela região, o status nutricional dos pacientes estudados ou uma eventual indisponibilidade de determinados recursos (métodos diagnósticos, tratamentos de alta complexidade).
Definições
Todas as definições empregadas no estudo devem ser detalhadas. Isso inclui a definição de termos aparentemente óbvios, mas que para o estudo requerem definição operacional. Por exemplo, pacientes febris, neutropênicos, hipertensos, ou mesmo pacientes brancos e negros; é necessário definir o significado desses termos no âmbito do estudo.
Critérios de inclusão e exclusão
A descrição meticulosa da amostra estudada é essencial para a interpretação dos resultados do estudo. Critérios de inclusão são as características dos indivíduos que os definem como candidatos ao estudo. Critérios de exclusão são aqueles que bloqueiam a entrada no estudo de indivíduos que atendem aos critérios de inclusão.
Procedimentos
Aqui o autor deve descrever, passo a passo, o que será feito. Devem-se mencionar as técnicas e descrever os equipamentos, os reagentes e os softwares que serão empregados.
Variáveis e desfecho estudados
As variáveis e os desfechos que serão utilizados para a análise dos resultados devem ser descritos e, se necessário, definidos.
Métodos estatísticos
O aluno deve buscar a ajuda de seu orientador e, se necessário, de um estatístico, para determinar de antemão quais os procedimentos estatísticos que serão empregados após a coleta dos dados. De igual importância são as considerações sobre o poder estatístico do estudo e o tamanho da amostra necessária para se alcançar o objetivo proposto.
Etapas e cronograma
As etapas do estudo devem ser descritas em ordem cronológica, As etapas podem envolver o treinamento do aluno, a implantação de técnicas e equipamentos, a realização de uma pesquisa-piloto, a coleta efetiva dos dados, a análise dos dados e a redação do trabalho final. Um cronograma deve ser apresentado de forma gráfica, descrevendo o tempo planejamento para a realização de cada uma das etapas, de acordo com o modelo apresentado a seguir.
Cronograma para a realização do estudo (em meses)
Orçamento
Todas as despesas previstas devem ser detalhadas, identificando as despesas com pessoal, com material de consumo e com material permanente. O orçamento deve conter informações detalhadas sobre os custos de cada quesito e, de preferência, vir acompanhado de uma comprovação dos valores obtidos em consulta ao mercado fornecedor.
Documentação complementar
Referências bibliográficas
Devem ser detalhadas as referências citadas no texto (veja o capítulo 6 deste manual).
Formulários
Formulários para a coleta ou análise dos dados, e tabelas de classificação de informações relevantes para a pesquisa, devem ser anexados ao projeto.
Consentimento informado
Seguir as normas da resolução 196/96 (http://www.datasus.gov.br/conselho/resol96/%20res19696.htm) e as normas adicionais determinadas pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição.
Roteiro para a redação de um
artigo científico
O formato atual dos artigos científicos resulta de séculos de tradição, com adaptações determinadas por questões éticas e práticas editoriais modernas.
O formato propicia aos autores a consecução de diversos objetivos: 1. informar com objetividade os fundamentos, a metodologia e os resultados de um estudo científico, de tal forma que a comunidade científica possa reproduzir o experimento e analisar os resultados de forma independente; 2. especular sobre o significado dos achados; e 3. fazê-o com concisão, para que toda a produção científica relevante tenha espaço nos periódicos existentes.
O leitor encontrará, em outras partes deste manual, informações úteis para a redação de um artigo científico. Os manuais de formato e de estilo para a redação de teses aplicam-se em boa parte à redação de artigos. Também é aconselhada a leitura dos capítulos sobre os aspectos éticos da pesquisa (capítulo 22) e sobre o uso do software Word (capítulo 23). Para evitar repetições desnecessárias, neste capítulo será apresentado apenas um roteiro para a redação de um artigo científico.
A escolha do periódico
Para otimizar as chances de que um artigo científico seja aceito para publicação, é essencial enviá-lo para um período apropriado. O mercado´de periódicos científicos, como de resto todo o mercado editorial, está fortemente segmentado, com periódicos voltados para áreas bem delimitadas do conhecimento. Periódicos com esse perfil podem ter uma disponibilidade de publicação muito maior do que outros de perfil editorial mais aberto. Uma pesquisa sobre oncogenes associados ao neutoblastoma, por exemplo, poderá ser mais facilmente aceita nos periódicos Oncogene e Oncogene Research do que na Neurology ou no Annals of Internal Medicine.
Para outro lado, a exigência mundial por maior produção científica nos meios acadêmicos resultou em um aumento acentuado do número de artigos que chegam aos editores. O periódico deve ser escolhido de acordo com o potencial científico e as características do artigo. De nada adianta enviar um relato de casos para um periódico que não tenha uma sessão de relato de casos.
Após escolher o periódico, obtenha uma versão atualizada das Instruções para os Autores e siga rigorosamente as instruções ali contidas, nos mínimos detalhes. As Instruções estão disponíveis em pelo menos um exemplar de cada volume do periódico, e também pela Internet, na homepage do periódico. A Faculdade de Medicina de Ohio mantém uma excelente lista com links para a Instruções para os Autores de centenas de periódicos da área de saúde (http://www.com.edu/lib/instr/libinsta.html).
A seguir, serão fornecidas instruções para a redação de cada parte do artigo.
Título
O título deve conter o menor número de palavras capazes de descrever com precisão o conteúdo do artigo. Expressões desnecessárias devem ser omitidas.
Tenho em mente que o sistemas eletrônicos de indexação buscam as palavras solicitada no título e no resumo (abstract) do artigo. Escolha cuidadosamente palavras que poderão ser usadas por leitores interessados no tema de seu estudo. Devido à importância dos estudos prospectivos em medicina, é recomendável que o título desses artigos contenha a expressão “estudo prospectivo”. Para mais detalhes, leia o final do capítulo 4.
Lista de palavras-chave
A maioria dos periódicos solicita uma lista de palavras-chave. Antes do advento dos sistemas eletrônicos de busca da literatura nos anos 90, tais como o PubMde (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez), a busca da literatura era toda baseada em palavras-chave. A extensa lista de palavras-chave adotada pela National Libarary fo Medicine pode ser consultada de forma interativa pela Internet (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/%20meshbrowser.cgi).
A bibliotecária da sua instituição pode ser de grande ajuda na seleção das palavras-chave. Evite palavras excessivamente genéricas, como “terapêutica” e “diagnóstico”. Procure acrescentar palavras relevantes que não constem do título do abstract.
Resumo (abstract)
O resumo é a parte mais lida do artigo. É através do resumo que os leitores decidem se irão ler o artigo na íntegra. O texto do resumo deve ser um modelo de clareza e objetividade.
Verifique nas Instruções para os Autores: se o periódico utilizar resumos convencionais ou estruturados, prepare o resumo de acordo.
O resumo pode ser iniciado de duas formas: afirmando, em uma frase, a razão pela qual o estudo foi feito, seguida de outra frase descrevendo o que foi feito; ou apenas descrevendo objetivamente o que foi feito.
Exemplo de início do resumo com uma descrição inicial do fundamento do estudo:
“O desaparecimento do cromossomo Philadelphia durante o tratamento da leucemia mielóide crônica tornou-se um importante objetivo terapêutico. Para determinar o valor adicional da monitoração molecular durante o tratamento da leitura mielóide crônica, realizamos uma análise prospectiva seqüencial utilizando a monitoração quantitativa com Southern blot dos rearranjos do gene BCR em amostras de sangue e de medula óssea.”
Exemplo de início do resumo sem a descrição do fundamento do estudo (a descrição do estudo já deixa implícito o seu objetivo):
“Sintomas persistentes da náusea, ansiedade e vômitos desencadeados pela lembrança do tratamento antineoplásico foram examinados em 273 sobreviventes de Doenças de Hodgkin, 1 a 20 anos após o fim do tratamento.”
Informe e seguida os métodos empregados no estudo (desenho e técnicas). Não é preciso fornecer detalhes dos métodos no resumo, basta citá-los.
Os resultados mais relevantes do estudo são descritos a seguir. Não basta informar que “A foi diferente de B”. É preciso informar valores e, sempre que possível, intervalos de confiança. Resultados positivos e negativos são igualmente relevantes.
Algumas recomendações:
+ não exceda 250 palavras ou o limite máximo determinado nas Instruções para os Autores. Use o mínimo de palavras possível.
+ não use abreviaturas.
+ não use tabelas.
+ não faça referência a tabela no texto do artigo ou a referências bibliográficas.
Introdução
A introdução tem um duplo objetivo: descrever os fundamentos do estudo e a literatura relevante sobre o tema. Em outras palavras, é preciso informar ao leitor por que foi feito o estudo e o que se sabia antes de o estudo ser realizado. Deve-se fornecer o maior número de informações possível em apenas dois ou três parágrafos. Para isso, devem-se evitar frases genéricas ou redundantes. É desnecessário, por exemplo, em um estudo sobre diabetes mellitus, fornecer uma definição de diabetes mellitus ou afirmar que “o diabetes mellitus é uma doença de alta prevalência na população mundial”. O essencial aqui é introduzir com clareza a literatura pertinente.
A introdução deve ser encerrada com uma breve descrição do objetivo do estudo e do que foi feito. Exemplo:
“Para determinar o valor prognóstico da dosagem sérica de homocisteína em pacientes com infarto agudo do miocárdio, estudamos a homocisteinemia em jejum de pacientes que haviam sofrido um infarto agudo do miocárdio e correlacionamos o seu resultado com a ocorrência de complicações do infarto agudo do miocárdio.”
Alguns autores preferem incluir aqui uma descrição sucinta dos principais achados, mas de modo geral isso não é recomendado.
Métodos
O propósito desta seção é fornecer todas as informações necessárias para que um outro pesquisador possa repetir com exatidão o experimento. Descreva o desenho do estudo, cálculos prévios sobre o tamanho da amostra a ser estudada, período e contexto de sua realização, critérios de inclusão e de exclusão, variáveis, estudadas, definições adotadas, métodos estatísticos e técnicas laboratoriais. Se necessário, forneça a marca e o modelo dos equipamentos, reagentes e softwares. Caso tenham sido usados métodos já descritos por outros pesquisadores, basta mencioná-los e fornecer a referência. Por outro lado, métodos originais devem ser minuciosamente detalhados. A seção de métodos pode ser subdividida em partes, delimitadas com subtítulos, nas quais são descritos os diversos aspectos já mencionados.
A ordem de apresentação é usualmente cronológica. Descreva passo a passo como se desenvolveu o estudo (o tempo de verbo é o pretérito perfeito). Há um certa controvérsia sobre o uso da voz ativa ou da voz passiva na literatura científica. Os defensores da voz passiva (“Foi feita uma análise...”) consideram-se mais elegantes e modesta; já os defensores da voz ativa (“Fiz [fizemos] uma análise...”) afirmam que essa é mais objetiva e deixa clara a responsabilidade pelo que foi feito. No Brasil, ainda há ampla preferência pela voz passiva. Qualquer que seja a sua escolha, ela deve ser consistente em todo o texto.
Resultados
Aqui são apresentados os achados do estudo, sem qualquer comentário ou interpretação. Todo o esforço é voltado para a clareza e concisão da apresentação dos resultados. Dados numéricos detalhados devem ser digeridos e organizados em tabelas que indiquem valores das médias, medianas ou proporções, como for apropriado. A variação dos dados deve ser sempre expressa através do desvio-padrão ou erro-padrão das médias, do intervalo, no caso de medianas, e dos intervalos de confiança calculados. Os achados mais relevantes do trabalho deve ser apresentados com destaque; se preciso, utilizar gráficos para melhor esclarecer tendências ou diferenças entre grupos. Na use gráficos para demonstrar aspectos secundários do estudo (exemplos: distribuição por sexo ou faixa etária).
Tabelas e figuras devem ser auto-explicativas, i. e., deve ser possível compreender o seu conteúdo sem recorrer ao texto. Para isso, a legenda deve descrever claramente o conteúdo, e todas as abreviaturas devem ser definidas. Evite enviar figuras coloridas, salvo se for absolutamente necessário; elas encarecem muito a publicação, e o custo geralmente é passado para o autor. leia mais sobre tabelas e figuras no capítulo 17.
Discussão
Os resultados são discutidos e comparados com os achados prévios. Só cabe discutir os resultados apresentados no presente estudo e as suas implicações.
Procure responder às seguintes questões:
+ Como os resultados se comparam com o que foi publicado antes?
+ Se houver resultados divergentes, quais as possíveis razões para isso?
+ Se o estudo teve limitações metodológicas, quais foram e de que forma podem ter comprometido a consecução do objetivo do estudo?
+ Quais as respostas que surgiram com a realização do estudo?
+ Quais as novas perguntas que surgiram com a realização do estudo?
Evite:
+ usar na argumentação dados que constem do estudo nem da literatura
+ repetir os resultados já descritos na seção própria
+ repetir o que já foi dito na Introdução
+ tirar conclusões ou formular hipóteses além do que os dados permitem
O tamanho e a qualidade do texto
Seja extremamente econômico na limitação do tamanho do texto do manuscrito. Nem pense em mandar um artigo com 30 páginas para um periódico, a não ser que você tenha descoberto a cura do câncer ¾ e, nesse caso, talvez só seja necessária uma página. para um editor, é muito melhor publicar três artigos, cada um com quatro páginas, do que apenas um artigo com doze páginas. para a ciência, também é melhor, e mais justo, pois só assim haverá a possibilidade de se publicar tudo o que merece ser publicado.
O leitor mais rigoroso do trabalho deve ser o autor. Imprima e leia tudo o que digitar, relendo-o com um intervalo de alguns dias e com uma caneta vermelha na mão. Corte parágrafos inteiros, reescreva, sintetize, mude a ordem dos parágrafos para melhorar a influência do argumento. Quando achar que conseguiu um artigo de boa qualidade, peça a pessoas de sua confiança que leiam e critiquem o texto . Em caso de múltiplos autores, todos têm a obrigação de ler, contr
Marcadores:
importante pra caramba - IPC
Projeto de Pesquisa
PROJETO DE PESQUISA: (evitar o uso da 1ª pessoa (singular ou plural), utilizando a impessoalidade no texto – 3ª p.singular)
“planejar significa traçar um curso de ação que podemos seguir para que nos leve às nossas finalidades desejadas”. CHURCHMAN, C. West. Introdução à teoria dos sistemas. Petrópolis: Vozes, 1971, p.190.
MODELO DE PROJETO DE PESQUISA
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
2. DELIMITAÇÃO DO TEMA
3. OBJETIVOS
4. JUSTIFICATIVA
5. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
6. HIPÓTESE(S)
7. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
8. METODOLOGIA DA PESQUISA
9. CRONOGRAMA
10. BIBLIOGRAFIA
1. INTRODUÇÃO
(O QUE SERÁ ESCRITO? Inicie dizendo qual é o seu objeto de estudo, o seu tema. O tema já deve trazer, em sua descrição, o problema. Apresente genericamente a gênese do problema, o contexto do problema, sob o ponto de vista sócio-cultural, da história, do Direito, ou de outro aspecto que permita situar o problema que pretende investigar em sua inter-relação com a sociedade. O pesquisador não se posiciona sobre o tema, apenas reproduz sua realidade.).
2. DELIMITAÇÃO DO TEMA
(significa selecionar alguns aspectos ou problemas. Informe como você irá “circunscrever” o tema, objeto de estudo, o tópico específico que você irá pesquisar, a área jurídica em que se insere. Além da abrangência da sua pesquisa, o que significa que você irá demarcá-lo do ponto de vista teórico - marco teórico/histórico-, delimite-o geograficamente)
3. OBJETIVOS
(O QUE FAZER? apresentar o objetivo geral e os objetivos específicos. Relacionam-se às respostas a serem dadas ao problema formulado. Significa enunciar o que será feito. Deve ser explicitado por verbos no infinitivo: estudar, analisar, questionar, comparar, introduzir, elucidar, explicar, contrastar, discutir, demonstrar, etc.)
4. JUSTIFICATIVA
(POR QUE FAZER? PARA QUE FAZER? Demonstrar a relevância do estudo em questão – social e jurídica, teórica e prática. Que contribuições a pesquisa trará para a compreensão, a intervenção ou a solução do problema no universo social a que se destina?).
5. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
(QUAIS AS QUESTÕES A SEREM RESOLVIDAS? Apresentar as questões específicas, isto é, os problemas a que você pretende responder, ou apontar soluções, com a pesquisa. É a problematização do tema abordado na pesquisa. É ou são a(s) questão(ões) a ser(em) solucionada(s). Que questionamentos foram levantados acerca do tema, ao fazer a leitura sobre o assunto tratado? Que críticas podem ser feitas ao se examinar a questão? O tempo verbal deve ser, preferencialmente, o condicional – futuro do pretérito, porque são conjecturas, revelam dúvidas.)
6. HIPÓTESE(S)
Trata-se de uma resposta provisória ao problema da investigação. Deve(m) ser elaborada(s) a partir de fontes diversas, tais como a observação, resultados de outras pesquisas, teorias ou mesmo intuição. Deve(m) ser específica(s), clara, direta. Deve(m) ter conceitos claros).
7. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
(O QUE FOI ESCRITO SOBRE O TEMA? É o embasamento teórico da sua pesquisa, que vai fundamentar. Organizar um capítulo em que você vai expor e analisar o pensamento dos doutrinadores, dos estudiosos da área específica da pesquisa. Faça uma síntese bem articulada dos elementos teóricos (derivados da doutrina e/ou da legislação e/ou da jurisprudência) que podem servir de alicerce para a análise dos dados de sua pesquisa.)
8. METODOLOGIA
(COMO FAZER? COM QUÊ? QUANDO? O QUE? COM QUEM? ONDE? consiste em dizer o tipo de pesquisa a ser abordada - bibliográfica, documental, de campo, descritiva, exploratória, investigativa-, apresentação das fontes de pesquisa, dos instrumentos de coleta de dados, a coleta de dados, a análise de dados. Indica as opções e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro teórico. Definição dos instrumentos e procedimentos para análise dos dados:
a) definição da amostragem: a pesquisa qualitativa não se baseia em elementos numéricos para garantir sua representatividade. Pergunta-se “quais indivíduos sociais têm uma vinculação mais significativa para o problema a ser investigado?”.
b) Coleta de dados: definir as técnicas a serem utilizadas tanto para a pesquisa de campo -entrevistas, observações, formulários, história de vida - como para a pesquisa suplementar de dados, caso seja utilizada pesquisa documental, consulta a anuários, censos.
c) Organização e análise dos dados – deve-se escrever com clareza como os dados serão organizados e analisados. Por exemplo, as análises de conteúdo, de discurso, ou análise dialética são procedimentos possíveis para análise e interpretação dos dados, e cada uma dessas modalidades preconiza um tratamento diferenciado para a organização e sistematização dos dados.
Você pode subdividir este item em – Tipo de pesquisa - descritiva? Comparativa? Exploratória? Documental? Histórica? Estudo de caso?; Fontes da pesquisa – bibliografia, pessoas-operadores, documentos, leis, doutrinas; Coleta de dados – esclarecer como, quando e onde você buscará os dados da parte específica da sua pesquisa; Análise dos dados – dizer como procederá para analisar os dados que obtiver na parte específica da sua pesquisa.)
9. CRONOGRAMA
(são as etapas da pesquisa, relacionadas ao tempo utilizado para a realização da monografia. Exemplo:
Eventos
MÊS/ANO
MÊS/ANO
MÊS/ANO
MÊS/ANO
Pesquisa bibliográfica
(coleta de dados
Pesquisa empírica (coleta de dados)
Capítulo 1
Capítulo 2
Conclusões
Introdução
10. BIBLIOGRAFIA
(listar todas as obras lidas para fazer sua pesquisa, respeitando as normas da ABNT).
“planejar significa traçar um curso de ação que podemos seguir para que nos leve às nossas finalidades desejadas”. CHURCHMAN, C. West. Introdução à teoria dos sistemas. Petrópolis: Vozes, 1971, p.190.
MODELO DE PROJETO DE PESQUISA
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
2. DELIMITAÇÃO DO TEMA
3. OBJETIVOS
4. JUSTIFICATIVA
5. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
6. HIPÓTESE(S)
7. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
8. METODOLOGIA DA PESQUISA
9. CRONOGRAMA
10. BIBLIOGRAFIA
1. INTRODUÇÃO
(O QUE SERÁ ESCRITO? Inicie dizendo qual é o seu objeto de estudo, o seu tema. O tema já deve trazer, em sua descrição, o problema. Apresente genericamente a gênese do problema, o contexto do problema, sob o ponto de vista sócio-cultural, da história, do Direito, ou de outro aspecto que permita situar o problema que pretende investigar em sua inter-relação com a sociedade. O pesquisador não se posiciona sobre o tema, apenas reproduz sua realidade.).
2. DELIMITAÇÃO DO TEMA
(significa selecionar alguns aspectos ou problemas. Informe como você irá “circunscrever” o tema, objeto de estudo, o tópico específico que você irá pesquisar, a área jurídica em que se insere. Além da abrangência da sua pesquisa, o que significa que você irá demarcá-lo do ponto de vista teórico - marco teórico/histórico-, delimite-o geograficamente)
3. OBJETIVOS
(O QUE FAZER? apresentar o objetivo geral e os objetivos específicos. Relacionam-se às respostas a serem dadas ao problema formulado. Significa enunciar o que será feito. Deve ser explicitado por verbos no infinitivo: estudar, analisar, questionar, comparar, introduzir, elucidar, explicar, contrastar, discutir, demonstrar, etc.)
4. JUSTIFICATIVA
(POR QUE FAZER? PARA QUE FAZER? Demonstrar a relevância do estudo em questão – social e jurídica, teórica e prática. Que contribuições a pesquisa trará para a compreensão, a intervenção ou a solução do problema no universo social a que se destina?).
5. FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
(QUAIS AS QUESTÕES A SEREM RESOLVIDAS? Apresentar as questões específicas, isto é, os problemas a que você pretende responder, ou apontar soluções, com a pesquisa. É a problematização do tema abordado na pesquisa. É ou são a(s) questão(ões) a ser(em) solucionada(s). Que questionamentos foram levantados acerca do tema, ao fazer a leitura sobre o assunto tratado? Que críticas podem ser feitas ao se examinar a questão? O tempo verbal deve ser, preferencialmente, o condicional – futuro do pretérito, porque são conjecturas, revelam dúvidas.)
6. HIPÓTESE(S)
Trata-se de uma resposta provisória ao problema da investigação. Deve(m) ser elaborada(s) a partir de fontes diversas, tais como a observação, resultados de outras pesquisas, teorias ou mesmo intuição. Deve(m) ser específica(s), clara, direta. Deve(m) ter conceitos claros).
7. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
(O QUE FOI ESCRITO SOBRE O TEMA? É o embasamento teórico da sua pesquisa, que vai fundamentar. Organizar um capítulo em que você vai expor e analisar o pensamento dos doutrinadores, dos estudiosos da área específica da pesquisa. Faça uma síntese bem articulada dos elementos teóricos (derivados da doutrina e/ou da legislação e/ou da jurisprudência) que podem servir de alicerce para a análise dos dados de sua pesquisa.)
8. METODOLOGIA
(COMO FAZER? COM QUÊ? QUANDO? O QUE? COM QUEM? ONDE? consiste em dizer o tipo de pesquisa a ser abordada - bibliográfica, documental, de campo, descritiva, exploratória, investigativa-, apresentação das fontes de pesquisa, dos instrumentos de coleta de dados, a coleta de dados, a análise de dados. Indica as opções e a leitura operacional que o pesquisador fez do quadro teórico. Definição dos instrumentos e procedimentos para análise dos dados:
a) definição da amostragem: a pesquisa qualitativa não se baseia em elementos numéricos para garantir sua representatividade. Pergunta-se “quais indivíduos sociais têm uma vinculação mais significativa para o problema a ser investigado?”.
b) Coleta de dados: definir as técnicas a serem utilizadas tanto para a pesquisa de campo -entrevistas, observações, formulários, história de vida - como para a pesquisa suplementar de dados, caso seja utilizada pesquisa documental, consulta a anuários, censos.
c) Organização e análise dos dados – deve-se escrever com clareza como os dados serão organizados e analisados. Por exemplo, as análises de conteúdo, de discurso, ou análise dialética são procedimentos possíveis para análise e interpretação dos dados, e cada uma dessas modalidades preconiza um tratamento diferenciado para a organização e sistematização dos dados.
Você pode subdividir este item em – Tipo de pesquisa - descritiva? Comparativa? Exploratória? Documental? Histórica? Estudo de caso?; Fontes da pesquisa – bibliografia, pessoas-operadores, documentos, leis, doutrinas; Coleta de dados – esclarecer como, quando e onde você buscará os dados da parte específica da sua pesquisa; Análise dos dados – dizer como procederá para analisar os dados que obtiver na parte específica da sua pesquisa.)
9. CRONOGRAMA
(são as etapas da pesquisa, relacionadas ao tempo utilizado para a realização da monografia. Exemplo:
Eventos
MÊS/ANO
MÊS/ANO
MÊS/ANO
MÊS/ANO
Pesquisa bibliográfica
(coleta de dados
Pesquisa empírica (coleta de dados)
Capítulo 1
Capítulo 2
Conclusões
Introdução
10. BIBLIOGRAFIA
(listar todas as obras lidas para fazer sua pesquisa, respeitando as normas da ABNT).
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